MARITACAS

 Os filhotes estão no colo da Mãe Natureza


Há três ou quatro meses, muitas espécies de animais silvestres iniciaram o ritual do acasalamento para reprodução. Agora em janeiro, estão com os filhotes já grandinhos e quase prontos para a independência, deixando a mãe ou os pais e seguir na sua tarefa de viver em liberdade, embelezar o mundo e trazer encantamento para os nossos olhos, ouvidos e imaginação. Por isso: atenção.


Uma das espécies mais encantadoras da nossa região é a maritaca. Impossível não reparar o bando ou o casal dando rasantes sobre as nossas cabeças, fazendo aquele escândalo bem característico delas, aos gritos. 


Pois é, as maritacas estão com filhotes já em estágio bem adiantado de desenvolvimento, são os chamados “filhotões”, muitos já quase prontos para voar e deixar o ninho. E é neste momento que correm grande perigo.


Como as cidades invadem os espaços naturais, os animais silvestres que têm capacidade de adaptação, vão se aninhando como podem e muitos se alojam nas casas. No caso das maritacas, é comum fazerem ninho no forro das residências. Com o crescimento, os filhotões começam a fazer barulho e serem notados.  É quando muita gente tem a perigosa ideia de retirar a ninhada do forro.


Mexer em ninhos é crime ambiental  sujeito à pena (Lei 9.605/98), por isso os órgãos de proteção recomendam não se aproximar. O ninho será desfeito de forma natural. Até o mês de março a família irá embora e o proprietário terá toda a tranquilidade para inspecionar o forro, verificar onde estão as brechas e fazer o devido reparo, impedindo que o local seja novamente abrigo para as aves. 


Também é importante esclarecer que criar os filhotes de maritaca em casa é crime, por ser animal silvestre, a espécie não está autorizada para a criação em cativeiro. Somente criadouros cadastrados pelo IBAMA é que têm autorização para a guarda e reprodução.


Outra recomendação importante é não oferecer alimento ou tentar interagir com qualquer animal silvestre. No caso específico das araras, elas não digerem amido e muita gente joga pão para elas na ilusão de alimentá-las. Com o tempo, esse amido se acumula no papo da ave e ela morre sufocada. Veja a trágica situação provocada pelos humanos. Tem gente que até oferece coxinha, lanche e outros venenos para essas aves. Sem contar o perigo que a aproximação com humanos oferece. Uma vez no chão, a arara pode ser atacada por um cachorro ou gato.


Com essas informações, podemos concluir que cabe a nós, restaurar, recuperar e proteger os bosques, as matas e as florestas, para que esses seres extraordinários tenham um ambiente que ofereça todas as condições para a sua existência em plenitude, que possam ser felizes e continuar se perpetuando e encantando.


Se você quer saber mais sobre a maritaca e outros animais silvestres, faça uma visita ao Centro de Recuperação de Animais Silvestres, o Cras Pró-Arara ou acesse a página da instituição no Instagram: @cras_pro_arara 


Faça a sua parte para que a Mãe Natureza possa  acolher e embalar em seu colo generoso, em paz e com segurança, todos os filhotes que estão chegando..


Um abraço frondoso para todo mundo.

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